Se o decoro e a decência repousam na placidez dos quotidianos e tributáveis, se a moral e o recato habitam na aquiescência das massas planas e rasas e se o pensamento crítico é a súmula pornográfica dos nossos dias; então meu nome é pecado, porque prefiro o sórdido, o indizível e o obsceno a ter de ceifar-me da dignidade do pensamento adverso, da contrariedade de minha própria opinião. Por isso sou Obscenum.
Nem vou entrar nos méritos da polêmica, do ciúme e da disputa acirrada que aconteceu entre os que queriam participar dessa prova selecionadíssima. Isso porque para quem não acompanha o universo dos corredores de rua, o assunto não interessa em seus detalhes. Apenas um breve resumo: a Nike, ao promover o evento, foi clara. Apenas 20 equipes com 12 atletas. Apenas os melhores dentre os amadores. Nada de atleta profissional. O desafio é amador, ainda que sejam os amadores de ponta. O desafio: revezamento entre os membros das equipes para completarem 600km entre São Paulo e Rio de Janeiro. Um desafio que rendeu ótimas histórias no blog do editor da Runner’s World Brasil, Sérgio Xavier e este curta-documentário, que mostra um pouco esse universo de obsessão com desempenho, aventura, corrida e cansaço. Meu objetivo é um dia ter o índice amador desses corredores e talvez conseguir participar de uma prova como essa.
Por ocasião do dia de meus anos, caiu-me nas mãos Caim, novo livro de José Saramago. Saramago já me é um velho conhecido e cada novo livro que leio me oferece aquela familiaridade de prosa, de ritmo que se misturam à indócil ironia do velho português é um prazer imenso o que tudo isso me proporciona. Em Caim, Saramago retorna à alegoria bíblica anos após o polêmico, genial e belíssimo O Evangelho Segundo Jesus Cristo, ainda meu favorito.
Se então era o novo testamento o alvo de seu humor e acidez, agora ele se volta para o antigo testamento, de Adão e Eva até o dilúvio. Abaixo um trecho, uma pequena amostra daquilo que mais adoro neste velho escritor, que é sua capacidade de provocar os obtusos com uma prosa refinadíssima e aguda:
(o trecho se passa logo após a expulsão injustificada e arbitrária de Adão e Eva do éden e é um diálogo entre o anjo que guardava a porta do éden e Eva)
“Que queres, perguntou outra vez o querubim, que pareceu não perceber que a reiteração iria ser interpretada como um sinal de fraqueza, Repito, tenho fome, Pensei que já estareis longe, E aonde iríamos nós, perguntou Eva, estamos no meio de um deserto que não conhecemos e onde não se vê um caminho, um deserto onde durante estes dias não passou uma alma viva, dormimos num buraco, comemos ervas, como o senhor prometeu, e temos diarréias, Diarréias, que é isso, perguntou o querubim, Também se lhes pode chamar de caganeiras, o vocabulário que o senhor nos ensinou dá para tudo, ter diarréia, ou caganeira, se gostares mais desta palavra, significa que não consegues reter a merda que levas dentro de ti, Não sei o que isso é, Vantagem de ser anjo, disse Eva, e sorriu. O querubim gostou de ver aquele sorriso. No céu também se sorria muito, mas sempre seraficamente com uma ligeira expressão de contrariedade, como quem pede desculpas por estar contente, se àquilo podei chamar de contentamento. Eva tinha vencido a batalha dialética, agora só faltava a da comida. Disse o querubim, vou trazer-te alguns frutos, mas tu não o digas a ninguém, (...) Eva retirou a pele de cima dos ombros e disse, Usa isto para trazeres a fruta. Estava nua da cintura para cima. A espada silvou com mais força como se tivesse recebido um súbito afluxo de energia, a mesma energia que levou o querubim a dar um passo em frente, a mesma que o fez erguer a mão esquerda e tocar no seio da mulher. Nada mais sucedeu, nada mais podia suceder, os anjos, quanto o sejam, estão proibidos de qualquer comércio carnal, só os anjos que caíram são livres de juntar-se a quem queiram e a quem os queira. Eva sorriu, pôs a mão sobre a mão do querubim e premiu-a suavemente contra o seio. O seu corpo estava coberto de sujidade, as unhas negras como se as tivesse usado para cavar a terra, o cabelo como um ninho de enguias entrelaçadas, mas era uma mulher, a única.”
Na minha coluna mensal de cinema no Guia da Semana, falo um pouco sobre uma das coisas que mais me fascina na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Para ler, clique aqui.
Com atraso, mas não sem tempo, aviso que a 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo começou na última sexta, dia 23 de outubro e vai até dia 05 de novembro.
Nem preciso dizer como fico alvoroçado com esse evento, desde que em 2006 fui à minha primeira mostra e vi filmes que me marcaram indelevelmente. Nessas duas semanas que duram o evento eu páro tudo pra poder acompanhá-la. Este ano são 424 filmes de todo canto do planeta, dos quais quero ver ao menos uns 15, com sorte, 20. Já vi um hoje e pretendo ver mais dois amanhã. Se tudo der certo, na semana verei mais 3 ou quatro e no próximo fim de semana é maratona de uns três por dia. Espero que a energia não falte, que não atrapalhe meus treinos de corrida e vida longa à Mostra, à qual espero ansioso todo ano, como criança que espera o natal. Bons filmes a todos.
Se o prêmio Nobel da Paz que foi dado a Barak Obama gerou um certa polêmica pela sua indiscutível prematuridade, fico mais uma vez com o olhar arguto e sensato do velho ranzinza José Saramago. Sempre inteligentíssimo e dessa vez moderador das críticas, escreveu em seu blog:
“É possível que comece a dizer-se que o Prémio Nobel da Paz foi prematuro, mas não o é se o tomarmos como um investimento…”
Ontem a noite corri os 12Km da Corrida Noturna da Caixa, na USP. Não fiz um tempo tão bom como poderia, embora tenha cumprido o objetivo de ficar abaixo de 1:12:00. Na verdade fiquei bem abaixo disso, fazendo 1:09:47. O problema é que mais uma vez me poupei demais no início, quando deveria ter colocado um ritmo mais forte. Nas outras corridas me poupei demais nas subidas, com medo de quebrar muito cedo. Por quebrar, entenda-se como o momento em toda corrida que a dor chega às pernas. Se ela chega muito cedo você quebra e termina a prova se arrastando ou, pior, andando. Se ela chega mais perto do fim da prova e você não for um frouxo, você a ignora e toca o ritmo.
Mas a prova de ontem era toda plana, sendo composta de 3 voltas de 4Km. Fiz a primeira volta (4km) muito lento, totalmente confortável, correndo a 6min./Km. Pretendia fazer os 8km restantes num ritmo mais forte e consegui, mas percebi que a sobra de força que tive nos últimos 3km poderiam ter sido queimadas no início, o que tornaria meu tempo total muito melhor, ainda que isso tornasse as dores do fim piores.
O fato é que fiquei lá, forçando um pouco o ritmo esperando a dor chegar. Lógico que ela chegou. Começou pelo km 8, veio morna e passou a queimar mesmo nos últimos dois km. Mas minha base aeróbica estava tão boa que mesmo com dor não baixei o ritmo e ainda acelerei um pouco no km final. Depois de cruzar a linha de chagada até tive um princípio de cãibras, mas nada sério.
Agora é esperar a próxima corrida, que será dia 8/11. Na véspera de completar 35 anos nada como celebrar a data correndo 10km em ritmo forte. E quanto á dor, descobri uma frase muito boa do ciclista Lance Armstrong:
“A dor é temporária, pode durar um minuto, uma hora, um dia, ou um ano, mas em algum momento ela passa e outra sensação toma o seu lugar. Mas se eu desistir a dor fica para sempre.”
É amigos... a vida são ciclos e todo ciclo tem seu fim. Afinal, nada dura para sempre.
(Pausa para reflexão)
Contudo, nada ainda abala esse blog, ao menos não em definitivo.
Estou ausente para um período cíclico de pura falta de vontade de escrever. Acontece, como já aconteceu outras vezes e não dura muito tempo, não. Ciclos, sabe como é? Portanto, não desistam de vir aqui. Em breve os textos retornam com volume, quantidade e freqüência. Até lá, visitem aleatoriamente os arquivos de posts. Tem coisas interessantes lá, como também tem muita coisa ruim, de dar vergonha mesmo. Paciência, não me edito, não me censuro, tampouco me castro. O que escrevi ta escrito. E isso basta.
E aos que ainda vêm aqui ver se tem coisa nova. Meu agradecimento e minhas desculpas. Volto logo... loguinho, loguinho...
“Só as putas trepam em silêncio”, diz Krassky (Joe Dalesandro) ao ser expulso de um motel junto com Johnny (Jane Birkin). É com essa frase que Krassky, sem saber, define com precisa agudeza sua relação com Johnny. Uma relação que busca, sobre todas as coisas, algo verdadeiro, de intensidade única, que jamais poderia ser silencioso ou indiferente.
Considerado por muitos um filme escandaloso e pervertido, Paixão Selvagem é obra de um poeta maldito. Serge Gainsbourg, escreveu, dirigiu e escalou sua esposa para interpretar uma garota de aparência andrógina que se envolve com um caminhoneiro homossexual. Krassky e seu amante Padovan (Hugues Quester) trabalham transportando lixo em seu caminhão. Para realizar um trabalho mais demorado, passam alguns dias num fim de mundo de beira de estrada. É quando Krassky passa a se sentir atraído pela garçonete Johnny, que trabalha numa lanchonete imunda, despertando o ciúme de seu parceiro.
A estética do sórdido e da verdade. No filme de Gainsbourg sordidez e verdade são causa e consequência. A primeira resulta da condição das vidas dos personagens, que sobrevivem no lixo e cujos amores não podem sonhar com pureza ou beleza, ainda que se o deseje; no segundo caso, a verdade do sentimento, a clareza rude de uma relação e qualquer beleza que se posa tirar dela, é um artifício que buscam seus personagens, tão mergulhados que estão no vazio de si mesmos. Pela carência de afeto, qualquer afeto, há a submissão passiva em conjunto com uma dominação também quase passiva. E desse estranho equilíbrio também se pode fazer poesia, ou ao menos uma fuga ilusória do lixo e da sordidez.
O diretor de Paixão Selvagem ficou famoso ao compor uma música que marcou época por conta de seu apelo erótico: Je t'Aime Moi Non Plus, uma canção onde se ouvia inconfundíveis gemidos e sussurros de dois amantes. A canção é tema do filme e também o título original. Mas o amor nesse universo é algo tão insubstancial quanto necessário e muitas vezes só pode se manifestar pelas vias imprecisas do sexo.
E é no sexo que Krassky e Johnny buscam o encontro da perfeição de seus pólos distantes. Mas sendo Krassky homossexual, só consegue se excitar por uma Johnny submissa e de costas, masculinizada pela sua androginia. A barreira a ser transposta nesse desafio de amor é a consumação do sexo anal, impossibilitado pela dor que causa em Johnny e por seus gritos lancinantes, que faz com que sejam expulsos de todos os motéis para onde vão.
A realização final desse amor estranho se dá, então, onde menos poderia haver poesia e onde mehor se poderia simbolizar a vida desses dois amantes: na caçamba do caminhão que transporta lixo. Contudo, o que poderia ser triste e repugnante, se torna a cena mais bela do filme, um quadro de entrega e sentimento sincero, único e honesto. É o momento onde ambos encontram no seu ato a realização momentânea de suas fantasias, que ultrapassam o sexo, e vão muito além do carnal.
Contudo, no final, o ciúme - e a sordidez que nunca os abandona -, mostra a realidade a que os três personagens estão presos, mostra que o amor enquanto fim, não passa de apenas um meio para algo intangível e inalcançável. No fim, estão todos só.
Paixão Selvagem não é um filme transgressor simplesmente, é marginal em sua essência e é à margem que ele coloca e mantém seus personagens. Todos, sem qualquer chance de fuga de si mesmos e de suas naturezas; seja ela amar incondicionalmente, ou não amar incondicionalmente.
Uma dura discussão com uma amiga distante, uma inflexão descontente de outra um tanto menos distante, mais os olhos de decepção da mulher que tanto amo e com quem quero mais e sempre estar. Só por ser quem sou. Talvez porque o que sou, seja só.
"Que mal fiz eu aos deuses todos? Se têm a verdade, guardem-na! Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica. Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo. Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável? Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa? Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade. Assim, como sou, tenham paciência! (...)
Quero ser sozinho. Já disse que sou sozinho! Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Moi je t'offrirai Des perles de pluie Venues de pays Où il ne pleut pas Je creuserai la terre Jusqu'après ma mort Pour couvrir ton corps D'or et de lumière Je ferai un domaine Où l'amour sera roi Où l'amour sera loi Où tu seras reine
Menos pelo teu aniversário (que desse todos fazemos anualmente) e mais pelo que te tenho de afeto imenso, que não é só em dias de anos, mas todos os dias do ano.
Pode parecer piegas de minha parte, mas todos o somos algumas vezes na vida. No entanto, faço questão de deixar expressa aqui minha gratidão, como fã do Radiohead e como um dos presentes ao histórico show de São Paulo, pelo esforço abnegado do brasileiro Andrews Ferreira Guedis e pela dedicação em proporcionar a todos nós, fãs, presentes ou não aos shows da banda no Brasil, este importante registro e essa indelével memória que se nos abrirá repetidas vezes à retina saudosa de uma noite inigualável, sempre que assistirmos aos vídeos do Projeto Rain Down, seja em DVD, seja pela internet.
Não tenho o que acrescentar. Se você quiser saber mais sobre o Projeto, clique aqui e leia matéria do Estadão. Para baixar o DVD do Projeto ou para ver os links de todas as partes do DVD que estão no Youtube, clique aqui.
É sempre bom saber que não se está só. Especialmente quando parece que todo o mundo se obliterou dentro do óbvio do mínimo comum desnecessário. Dessa vez, que me faz coro é o Sérgio Xavier Filho, jornalista e corredor dos bons, editor da revista Runner’s World Brasil. Como em seu espaço ele não fala só de corrida, aproveitou para desabafar sua opinião sobre a febre do momento, a nova modinha dos adoradores de modinhas...:
“Assim como não saio de casa para correr dois quilômetros, não ligo o computador para batucar 140 toques. Preciso valorizar o esforço que minha mãe investiu na minha infância tentando (e conseguindo) me convencer a devorar tudo do Erico Verissimo. Outro dia li uma frase atribuída ao escritor José Saramago: ‘Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido’.” Clique aqui e leia na íntegra.
Sair de casa 05:30h, debaixo de frio intenso e em pleno domingo, para suar 10 km é para poucos. Mas a corrida faz isso com as pessoas. Evento legal em homenagem ao patrono do Exército Brasileiro, com exposição de veículos de combate na arena dos participantes e início da prova dado com tiro de canhão.
Meu tempo de prova não foi lá essas coisas, mas se eu der um desconto para as longas subidas da Av. Pedro Álvares Cabral e ao frio de 10º com vento, acho que o meu tempo não foi tão ruim: 58:24. Mas ainda está longe do meu objetivo de fazer os 10km abaixo de 50 min.
Pessoal Chegando
Hora da Largada
No restante, a prova tem as figuras de sempre, corredores e suas manias e ruídos durante a corrida, a camaradagem de apoio para os mais lentos e iniciantes que visivelmente estão fazendo sua primeira corrida. Eu, particularmente, sempre que vejo alguém que notadamente está fazendo um esforço intenso para percorrer o percurso sinto um ímpeto forte de abraçar, beijar e dizer: Coragem! Força! Você consegue! Não desista! E parabéns pela coragem de abandonar o ócio e se dispor ao esforço de realizar um objetivo nobre na vida.
Trote de Aquecimento: importante antes da prova
Vamo que Vamo
Metros Finais
Mas o que mais me deixou feliz foi contar com todo apoio da Fernanda, que bravamente levantou cedo para me acompanhar e dar todo suporte e incentivo, tirando fotos e gritando, já perto da chegada: vai, amor!!!! Melhor jeito de cruzar a linha de chagada não há.
Apoio Fundamental de Fernanda: não vivo sem essa mulher!
Agora é me preparar para a próxima, dia 03 de outubro, na USP. Vai ser uma corrida noturna de 12 km pelo campus. Estarei lá.
Camisa de Cortesia e Medalha de Participação no Peito - 10km Cumpridos sem Sufoco
Resultado Oficial da Organização:
Rogério Pires de Moraes:
Tempo Líquido: 00:58:24.54
Classificação Geral................................3.290 / 5.345 Classificação por Idade (35-40).............517 / 726 Classificação por Sexo (M)....................2.911 / 4.219
Em minha coluna de cinema deste mês no Guia da Semana falo sobre a estréia de Tony Gilroy na direção com o filme Conduta de Risco, que já se encontra em DVD. O filme tem uma trama inteligente e instigante que aborda questões como ética e moral. Para ler a coluna, clique aqui.
"Você acredita no destino? Eu Não. Eu acredito que o ser humano tem poder e totais condições para estragar sua própria vida sem a ajuda de ninguém: tomando as decisões erradas nas horas impróprias, aliando-se a canalhas diversos, acreditando em heróis, pastores, padres, professores de história e outros farsantes; apaixonando-se por pessoas doentes ou de péssimo caráter e, principalmente, acreditando cegamente em sua própria inteligência, bondade, discernimento, equilíbrio e senso de justiça. Um grave erro." Do curta-metragem Estrada, de 1995, dirigido por Jorge Furtado.
Apenas para lembrar que sexta-feira, 21, começa (e vai até o dia 28) o 20º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. Duvido que eu vá conseguir ver alguma sessão, mas quem tiver mais tempo que eu e quiser aprovetiar essa chance única de ver curtas do mundo todo, clique aqui para mais informações.
Lembro-me de sua inquietude. Era jovem, forte e sabia tudo. Não havia coisa que não consertasse, não havia ferramenta que não conhecesse. Eu, pequeno e frágil, só olhava. Queria aprender, mas acima de tudo queria admirar e deificar aquele homem de barba grossa, que me feria o rosto quando me beijava; homem de mãos duras e fortes, cujo golpe duro e presto nunca se fez sobre mim (isso coube à minha mãe, que pequena e franzina sabia como ninguém descer a mão no lombo). Nem precisava. Bastava um olhar, meia palavra firme e pronto, aquietava-me e quieto permanecia.
Hoje poderia dizer que o peso de seus 58 anos o abateram, diminuíram sua força. Mas não. Porque nós, Pires de Moraes, só de fortes fazemos pasto. É surpreendente ver em seus olhos, movimento e disposição, a mesma inquietude. Continua forte, presto e sabendo tudo. Não me lembro qual foi a última vez que o vi descansar num fim de semana, sentar para ver tv ou simplesmente se sentar. Sempre está, incansavelmente, às voltas com algum motor, quebrando uma parede, erguendo outra. Não pára. Nunca. E não há ninguém que possa acompanhar seu fôlego. Ninguém mesmo, pois muitos já tentaram e todos fracassaram.
Eu continuo olhando, pequeno e frágil, esse gigante incansável. Ainda querendo aprender, ainda muito admirado. O que aprendi com esse homem ninguém nem nada na vida me ensinou melhor: honra, dignidade, honestidade, labor, dedicação, inteligência, caráter, princípios. Também me ensinou a dirigir e a fazer a barba com navalha. A navalha nunca usei de fato, até porque minha barba rala é uma piada perto da dele. Mas dirigir aprendi como poucos e afirmo aos de pouca fé: o mestre que me ensinou, já não dá ensinamento.
O tempo passa e ele segue. Forte, implacável. E eu olhando, só olhando, esperando algum dia ser digno de sua grandeza, honrar sua sucessão e igualar seus feitos. Pois eu sou Rogério, filho de José Carlos, meu pai, rei do mundo. -- Referências oblíquas (porque não quero que pensem que é meu o que não é meu): Fado Tropical, música de Chico Buarque e Ruy Guerra; I Juca Pirama, peoma de Gonçalves Dias; Circuladô de Fulô, música de Caetano Veloso em verso de Haroldo de Campos.
Não é fácil ler um início de conto como esse. É quase desesperador saber-se imensuravelmente menor que a genialidade que concebeu essas palavras. Ler Borges é quase um fracasso, é uma derrota anunciada. Mas não deixa de ser sempre um estímulo para continuar, e cortejar, ao menos, uma fração de medonho talento. É inveja, sim. Mas também é admiração. E também aprendizado.
"Na noite de 14 de março de 1939, num apartamento da Zeltnergasse de Praga, Jaromir Hladík, autor da inconclusa tragédia Os Inimigos, de uma Vindicação da Eternidade e de uma interpretação das indiretas fontes judaicas de Jakob Boehme, sonhou com um extenso xadrez. Não o disputavam dois indivíduos, senão duas famílias ilustres; a partida fora entabulada faz muitos séculos; ninguém era capaz de mencionar o esquecido prêmio, mas se murmurava que era enorme e, quem sabe, infinito; as peças e o tabuleiro estavam numa torre secreta; Jaromir (no sonho) era o primogênito de uma das famílias hostis; nos relógios ressoava a hora da impostergável jogada; o sonhador corria pelas areias de um deserto chuvoso e não conseguia recordar as figuras, ou as leis do xadrez. Nessa altura, despertou. Cessaram os estrondos da chuva e dos terríveis relógios. Um ruído compassado e unânime, cortado por algumas vozes de comando, subia da Zeltnergasse. Era o amanhecer; as blindadas vanguardas do Terceiro Reich entravam em Praga."
Em Lobo Antunes, a Essência de Uma Sessão de Análise
"Que porra de lavagem à cornadura é esta que saio daqui torcido como um velho com reumático, lumbago, ciática, bicos de papagaio e dor de dentes, alma de rafeiro a ganir a caminho de casa, e no entanto volto, volto pontualmente dia sim dia não para receber mais trolha ou uma indiferença total e nenhuma resposta às minhas angústias concretas, nenhuma idéia acerca de como sair deste poço ou pelo menos visionar um nada de ar livre lá em cima, nenhum gesto que me mostre a direcção de uma certa tranqüilidade, de uma certa paz, de uma certa harmonia comigo: Freud da puta judia que te pariu vai levar no cu do teu Édipo."
Dois Antes, Dois Depois... ou simplesmente Fernanda
Tenho estado tão distraído entre cinemas, treinos de corrida, carros japoneses e condromalácias patelares, que até me esqueci da poesia. Há novas, mas gosto de algumas mais antigas. Nos 4 posts seguintes reproduzo duas que escrevi para Fernanda, antes de tudo, seguidas de outras duas, escritas depois de tudo.
Audáz apaixonado insistente que fui, sigo hoje, já quase dois anos depois, apaixonado e audáz como antes. E serão sempre dela minhas melhores palavras, mesmo as que nunca foram ditas ou escritas.
Je ne suis rien. Je ne serai jamais rien. Je ne peux vouloir être rien. À part ça, je porte en moi tous les rêves du monde.
(Fernando Pessoa - Bureau de Tabac)*
Como o amor que tenho por quem não me tem o amor que tenho A ponto de deixar passar, sem dar por isso, uma cena de cinema em minha vida Com uma fidelidade assombrosa por quem não me deve o mesmo assombro Mas que me faço fiel assim mesmo, que é dela meu todo eu E esse amor de assombro
Mas canso dia-a-dia de pedi-lo por esmola numa penitência febril Como migalha de carinho entre seus cabelos Sobras de afeto por nossos dedos laçados pela rua Num abraço mais demorado renitente à despedida Ou um beijo amigo na face-avelã feito placebo à boca que é o desejo E à boca que me rejeita o beijo, quimera de escuras manhãs
Não posso querer ser nada? Mas posso tanta coisa e querer é o que mais posso!
Como o que menos importa é o filme, a peça, o show, o jantar ou o ouro da bebida E sim este momento mágico de uma mentira que represento Fingidor que sou como poeta e amante desesperado
Esse encanto inominável de voltarmos para casa abraçados, Fingindo a ficção de sermos um só, Quando não somos mais que dois estranhos pensando ser amigos
E o que tanto amo disso tudo odeio na mesma medida Por minha natureza desfibrada entre os olhos lacrimosos de pensar em tê-la Como um sonho ali ao lado inacessível Pela cegueira de não veres com a cor do invisível Esse véu de laço que perpassa nós dois sobre a pele Te fazendo tão inteira minha, pelo que sou tão inteiro teu Que é como se nada mais faltasse
Sim. Talvez eu não possa nunca ser nada, mas não posso deixar de ter em mim esse todo-tolo sonho do mundo de sonhá-la inteira repetidas vezes em ruínas circulares, como a última fé das coisas, como a última coisa que me sobra sempre em migalhas dessa vida tão prescrita por desassossegos de corações menos meus, com os olhos turvos de tanto sonhar e o temor da morte demorada entre os espectros vazios em redor de meu próprio espectro vazio, feito uma canção muito velha que ninguém mais quer lembrar.
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(*)Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Quero sempre mais que me contenho muito para além de tua boca Indizível veemência de minha própria língua pela tua tão perto O inapelável tremor oculto de minhas mãos em tua carne insólita Pela pele solene que me emboca a fúria de meus dentes gentis Teu cheiro que me agride a libido inefável por teu corpo esplêndido Entre o vão absorto de teus peitos soberbos e tuas pernas monumentais Como eu ufano em teu colo noite passada por tuas mãos feito barro e cinzel Sobre o ventre e o veneno delicado de tua curvatura abstrata indelével e onírica Como um pagão de minha própria cosmofagia deliberada Sobre a mão que mais me toca e me pune pela insobriedade dessa nossa natureza inegociável
Guardarei cada noite única como se muitas houvessem havido E cada única dose da extensa noite como sóbrias sobras e derivações de nós Para te ter infinita pousada entre as coxas de um átrio invisível Pelos olhos que te desejo absurdamente minha Ou pela cegueira que não vê o quanto te amo demais
Se precisar morrer mil vezes para viver de novo essa intangível tormenta de ser feliz com a sobra generosa desse vinho cordial e amargo com que me batizas todo dia tua sagrada melodia desterrando de meu peito a solitude interminável com que te beijo a face quando não suporto mais não te beijar parte alguma, viverei mil vezes para morrer mil vezes e não ser mais que teu enlevo desavisado sonhando sempre com teu beijo inventado pelos vãos do sentimento inseparável.
Sou agora teu convés, embarcação idílica dos mares do teu corpo oceânico de ondas que se eriçam quando em ti navegam minha língua e meu desejo.
Desnudo tuas ilhas e teus montes com a voracidade dos navegantes intrépidos, sem que me abale os tremores do teu mar profundo e revolto.
Sigo em pé, sereno à proa dos ventos, túrgido corsário à cata de aventuras em teus abismos secretos, nos seios de tuas lendas e confins.
Sou agora teu convés, capitão de tuas marés, feiticeiro enfeitiçado por teu canto de sereia negra, pelas rotas errantes da tua pele de avelã, e as tormentas insuspeitadas dos teus beijos de absinto ou de rum.
Sou agora teu navegante navegado, borrasca de pensamentos, peito aberto em tuas mãos carícias, o ranger contorcido do teu prazer inconsumível.
Sou o expatriado da tristeza que na enseada do idílio de tuas manhãs aportou cansado no farol de teu regaço
E ser para sempre o servo do teu gozo profundo, o intruso do teu estremecimento libertador; domar-te e conhecer-te na ferocidade da ressaca das marés contra pedras solitárias no cais;
e te guardar enfim muito íntimo feito amuleto de sem-fim na virtude de minha infatigável solidão.
Sou agora teu convés, para que te sintas segura na tempestade e para que sobre mim adormeças na calmaria quando minhas mãos te serão brisa e acalanto sobre teu corpo ensolarado de encanto. Postado por Rogério de Moraes às 17:12 - Link para este post
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12/10/2008
A alegria de ver-te as faces insensíveis ao tato compensa qualquer cansaço de antes e depois
Sou agora teu convés e sobre mim reinarás para sempre Senhora dos meus mares e das minhas marés
Porque só em ti adormece minha paz E só em ti deságua, depois da borrasca, minha calmaria
Entre luzes brandas de refúgios secretos Entre as cores íntimas de nosso imenso suor Entre os desfalecimentos de nossa carne trêmula E no infinito de nossa paixão saciada
Enquanto não consigo tempo para finalizar meus textos corporativos, vou dando sapecadas e fisgadas em blogs alheios. A Marili Ribeiro, por exemplo, dá uma demonstração de como as empresas desatentas com a satisfação do cliente e o pronto atendimento das reclamações podem se dar mal na era da internet e do youtube. Clique aqui, saiba do caso e assista o divertido vídeo.
Como todos já sabem, divido as pessoas em dois grupos distintos: as que já leram Cem Anos de Solidão (e são por isso pessoas que não desperdiçaram totalmente suas vidas com livros tolos) e as que não leram Cem Anos de Solidão (e por isso perecem no limbo de não saber-se o que um livro de verdade).
A obra-prima do colombiano Gabriel García Márques é das coisas mais incríveis que já se fez na literatura de ficção. Para corroborar minhas palavras já velhas e repetidas, trago novas e inéditas de ninguém menos que José Saramago, que acaba de, em seu blog, postar um depoimento sobre Gabo e sobre sua obra máxima. Diz o velho:
“O primeiro livro seu que me veio às mãos foi Cem Anos de Solidão e o choque que me causou foi tal que tive de parar de ler ao fim de cinquenta páginas. Necessitava pôr alguma ordem na cabeça, alguma disciplina no coração, e, sobretudo, aprender a manejar a bússola com que tinha a esperança de orientar-me nas veredas do mundo novo que se apresentava aos meus olhos. Na minha vida de leitor foram pouquíssimas as ocasiões em que uma experiência como esta se produziu. Se a palavra traumatismo pudesse ter um significado positivo, de bom grado a aplicaria ao caso. Mas, já que foi escrita, aí a deixo ficar. Espero que se entenda.”
Em breve também escreverei aqui textos abordando temas corporativos, do dia-a-dia das empresas, baseados nas minhas observações do cotidiano no trabalho (no meu e dos amigos que me contam dos seus). Idiossincrasias, absurdos, inteligências e desinteligências serão apontados sob o crivo de meu olhar perspicaz e agudo, pra não dizer genial. Em outras palavras, mais um motivo para você não perder tempo lendo esse blog chato. Mas sei de uma pessoa que vai adorar essa minha iniciativa, não é senhor Canário? Em breve.
Consumo é uma coisa estranha, né? Vejam que informação interessante:
"Atrás de aumentar a fidelidade dos consumidores e estimular a volta do público perdido para a atual onda de expansão de lojas de bairro, os gigantes do varejo Carrefour e Wal-Mart estão investindo num segmento movido a fraldas.
(...) Um vasto estudo, feito com apoio de fornecedores como Johnson & Johnson, Procter & Gamble, Nestlé e Fisher Price em várias praças, mostrou que a chegada de uma criança eleva os gastos da família em média em 40%. E não é só com apetrechos infantis, mas com outros produtos, como limpeza, higiene, biscoitos e guloseimas."
Lógico que esse blog jamais serviu para falar de minha vida pessoal, ao menos não diretamente, exceto em momentos de profusa alegria ou incomensurável tristeza íntimas. Contudo, nas últimas semanas, desde meu retorno à Grande Japonesa de Automóveis, não tive tempo pra quase mais ninguém. Estava hoje pensando numa lista de pessoas a quem devo ao menos um par de horas de minha atenção:
Adrielly (minha filha linda), Drica, Lu e Cau, Guinha, Fábio e Regianne e Alexandre, Piu e Joyce (a mocréia que mais adoro), Jaci e Júnior, Paulo e Helena, Gisele, Sandra e Luciana (a quem quero muito rever e bater um papo lembrando os velhos tempos), toda a equipe do Comtatos, ao menos uns três amigos de minha dileta namorada a quem prometemos visitas e encontros e nunca marcamos, e minha inteligentíssima sobrinha que já tá quase andando e não to vendo.
Contudo, também estava vendo minha “agenda” dessa semana para depois do trabalho na Grande Japonesa de Automóveis e percebi como está foda conseguir tempo:
Segunda: treino de 6km Terça: tratamento de canal em sessão única (uma hora e meia com a boca aberta olhando pra cima) Quarta: ver o filme Bem-Vindo com a Fernanda no Cinesesc Quinta: treino de 10km Sexta: ver sessão cineclube do HSBC Belas Artes ou algum outro filme importante Sábado: treino de 8km de manhã e levar minha filha pra ver Harry Potter à tarde Domingo: treino de 6km de manhã e reunião do Comtatos à tarde
Pois é, não gosto de fazer exposição da figura aqui no blog, mas acho que isso atenua, junto aos amigos a quem devo um bom par de horas de atenção, minha ausência nos últimos tempos.
Roubo com um certo descaramento um post do blog do Zanin, cujas palavras faço minhas e cuja percepção tive a mesma, no mesmo local, sob as mesmas consições, num filme da mesma diretora. Faço inteiramente minhas as palavras dele, que entende bem mais que eu:
"Quem leu as matérias da Folha Ilustrada de hoje pode ter chegado à conclusão de que é melhor cortar os pulsos. Talvez seja mesmo e não haja muito motivo para alegria, caso você seja um apreciador de filmes diferentes, de países que não sejam os EUA, nem blockbusters cheios de monstros, robôs e explosões. Se você gosta do cinema que pensa, o seu caso é desesperado. Será? Acontece que ontem à noite fui ao Cinesesc assistir a India Song, de Marguerite Duras, e achei a sala bem cheinha para o que era o filme. Nota: mais miúra que India Song, eu não conheço. (No jargão, miúra é sinônimo de filme não-comercial, de veneno de bilheteria). Consultei Simone Yunes, do Cinesesc. Ela me disse que havia 100 pessoas na sala (cem!). Pagantes, porque a sessão não era de graça. Cem pessoas, numa São Paulo sob chuva (só paulistanos sabem o que isso significa) para ver Duras, autora de filmes tão inusitados que até seus colegas cineastas duvidavam que aquilo que ela estava fazendo fosse mesmo cinema. Enfim, o que quero dizer é que com a ganância de quem produz filmes, a timidez de quem os distribui e a mediocridade de quem os exibe; tudo isso aliado ao rebaixamento inacreditável do gosto do público, mesmo para o entretenimento – com tudo isso ainda sobra uma fresta para o cinema dito “de arte”. É essa fresta ou nicho, no jargão econômico vigente, que devemos ocupar. E é dessa arte de exceção que devemos nos ocupar, como críticos. O resto se vira muito bem sozinho, sem ajuda de ninguém." -- Aproveitando o gancho com o blog do Zanin, me perguntei hoje (deslumbradinho, confesso) se um dia escreverei com tanta propriedade, inteligência, argúcia e elegância, sobre o que quer que seja. Digo isso a propósito do texto que Zanin escreveu para o Caderno 2, do jornal O Estado de São Paulo, em referência ao lançamento em DVD daquilo que foi, no meu entendimento, uma extraordinária obra de qualidade soberba em meio à mediocridade grosseira e desprezível da TV brasileira: a mini-série Capitu, dirigida por Luiz Fernanda Carvalho. Disse Zanin:
“Na verdade, Carvalho toma seu ponto de partida, o livro, como inspiração, e abre-se a uma multiplicidade de influências que estão presentes tanto em seu trabalho na TV como no cinema. A opção por locação única e marcações explícitas faz pensar no distanciamento proposto por um Lars von Trier, em Dogville por exemplo. O uso das cores e da música, em Fellini; já o tom proposto sugere às vezes o diálogo com Visconti. Há um certo expressionismo no trabalho magnífico de Malamed, mas não apenas nele. Ao mesmo tempo, soma de tantas referências e influências, a montagem desse dispositivo jamais cai no artificialismo nem cria uma distância intransponível para o espectador. Pelo contrário: tudo é posto a serviço do "projeto" de Bentinho, obviamente destinado ao fracasso - o de juntar as duas pontas da vida. Olhar, da velhice, a meninice e a juventude. Olhar, sobretudo, para Capitu, que é o Outro, ou a Outra, de si mesmo. Capitu é um fascinante e misterioso espelho para Bentinho, e que mantém sua opacidade até o final. Daí a perplexidade e ruína final do personagem.”
Na última terça-feira, Fernanda e eu, depois de não conseguirmos ver Bem-Vindo, do francês Philippe Lioret, fomos ao Cinesesc ver ao menos um filme do ciclo “Marguerite Duras: Escrever Imagens”.
Mas quem foi Marguerite Duras? Eu mesmo só soube quem era Marguerite Duras há uns dois anos, quando iniciei meu auto-aprendizado sobre cinema de verdade.
Qualquer um que aprecie a história da sétima arte tem a obrigação de conhecer (nem que seja de nome) o filme Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais: uma experiência com os contornos do tempo e da memória, dissolvidos pela ausência de linearidade, costurado nos braços de dois amantes improváveis (um japonês e uma francesa), vivido numa Hiroshima ainda ferida pela tragédia da bomba e com diálogos escritos por Marguerita Duras.
Marguerite Duras foi escritora, dramaturga, roteirista e cineasta. E sempre foi considerada “difícil”, um termo que se lega a artistas cuja obra não se pode, nem se consegue, digerir distraidamente, como quem come um Big Mac apressado. Com exceção dos diálogos marcantes de Hiroshima, Meu Amor, nunca tinha lido a escritora, nem visto qualquer filme dela como diretora. E aprendi na carne que no cinema ela se faz tão “difícil” como na literatura.
Vimos o filme Agatha ou as Leituras Ilimitadas. Um filme que na minha modesta visão busca uma desconstrução do cinema enquanto linguagem visual, para aproximá-lo da literatura e da fotografia: da primeira pelo jorro de palavras que buscam a expressão do sentimento, da perda e da memória ardente; da segunda pela mobilidade mínima das imagens, que buscam na luz de inverno (fundamental para a compreensão do todo) uma expressividade de abandono e no enquadramento uma alternância de memória e de urgência em lembrar o que ocorreu, ou não.
O argumento trata da despedida definitiva de dois irmãos, cujo amor incestuoso e irrealizável, ainda que recíproco, será (re)vivenciado pelas recordações da infância na casa de praia, local onde o desejo e o proibido os consumiram durante toda a vida.
Ainda que tenha gostado do filme como parte de uma busca por uma alternativa de expressão e de linguagem, não achei que as duas evidentes formas apresentadas como um todo (imagem e palavra) tenham alcançado um amálgama que as tornassem uma só coisa. Texto e imagem (fotografia) são belíssimos, dolorosamente belíssimos, mas não se unem, não se coadunam de forma inteiriça, o que dá ao filme uma certa dissonância.
À parte o aspecto fílmico, muito me seduziu a proposta de Duras, mesmo que o encontro entre o ideal e o realizado não ocorra da forma desejada pela autora/diretora. Acho fundamental e importantíssimo que buscas como essa ocorram sempre, não só no cinema, mas em todas as formas de arte e expressão, pois somente essa vontade, esse desejo de experimentar pode nos levar, intelectual, visual e perceptivamente a novo patamares de compressão, seja da arte, seja da vida ou de nós mesmos.
Recebo por e-mail um meme, bobo como todos os outros que ignoro e deleto quando recebo, mas que achei interessante seguir e ver no que dava. Dizia:
"Pegue o livro mais próximo. Agora. Vá até a página 56. Encontre a quinta frase. Poste no seu blog. Não procure pelo seu livro favorito, pelo mais cabeça, pelo mais chique. Pegue o livro mais próximo."
Só por curiosidade (ou afetação), eis a frase que achei no livro mais próximo de mim quando recebi esse meme:
El sol de medio día se quedaba imóvil en el centro del cielo,
E pra não ficar incompleto, eis o restante:
y en el silencio de las dos de la tarde sólo se oía el rumor del agua, que es la voz natural de Roma.
"Adrenalina dá a impressão de ter sido feito por dois amigos munidos de uma câmera comprada nas Americanas e um After Effects pirata num laptop engordurado."
A frase não é minha - o que é uma pena - e em seu contexto trata-se de um elogio, não o contrário. Ainda que discorde de algumas opiniões, não posso deixar de recomendar o blog Problema Todo Dia, cujo subtítulo também invejo (Eu tenho problemas com o cinema) porque eu também tenho. Fica a dica.
Porra!!! O animamundi comendo solto e eu sem tempo de ir ver. Como diz uma amiga minha: fico louco do cu quando isso acontece!!! O site oficial parace que está com pau, mas clicando aqui você tem a programação. Vai até domingo, vulgo, amanhã. Se puder vai lá ver, que eu não vou poder esse ano.
Quem me conhece sabe que dentre os livros de José Saramago que já tive o prazer imenso de ler, tenho como favorito disparado O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Não é livro para todos, especialmente para os tolos renhidos na obtusidade de não separar literatura de religião. O livro, como todos sabem, foi condenado pela Igreja Católica e toda celeuma causada por sua publicação - e posterior censura - resultou na saída de Saramago de Portugal para as terras de Lanzarote, na Espanha, onde vive até hoje com sua simpaticíssima esposa Pilar.
No belíssimo romance, a relação entre Jesus, Deus, Diabo, Maria de Magdala, José, Maria e os discípulos, foge um pouco ao palato dos mais sensíveis biblicamente. Saramago nos entrega um Jesus humano, impotente contra um Deus ambicioso que o escolhe para ser seu arauto, mesmo contra sua própria vontade. É comovente a humanidade de Jesus, sua bondade e inocência contra a tirania e o cinismo de Deus. Como também é belo seu amor por Maria de Magdala, com quem contrai relação carnal, dentro do mais belo espírito do amor e da devoção, como convém – e se recomenda – aos homens de boa fé e coração.
A mim, duas passagens marcaram e impressionaram imensamente e são justamente os dois encontros de Jesus com Deus. Primeiro para que se lhe seja cobrado seu dever de judeu na páscoa e dar a seu deus o sangue do cordeiro; depois, para que se lhe explique sua missão e o preço em vidas que ela custará. Um livro absolutamente memorável.
Toda essa lembrança quanto ao “Evangelho” se deve porque o velho Saramago acaba de publicar em seu blog um texto belíssimo intitulado Um Capítulo para o "Evangelho”, trata-se de um relato de Maria de Magdala, documentando e tecendo em palavras doces seu amor vivido com o homem Jesus. Como no trecho abaixo:
“Depois de Lázaro ter morrido, o desgosto e a tristeza de Jesus foram tais que, uma noite, debaixo do lençol que tapava a nossa nudez, eu lhe disse: “Não posso alcançar-te onde estás porque te fechaste atrás de uma porta que não é para forças humanas”, e ele disse, (...): “Ainda que não possas entrar, não te afastes de mim, tem-me sempre estendida a tua mão mesmo quando não puderes ver-me, se não o fizeres esquecer-me-ei da vida, ou ela me esquecerá”. E quando, alguns dias passados, Jesus foi reunir-se com os discípulos, eu, que caminhava a seu lado, disse-lhe: “Olharei a tua sombra se não quiseres que te olhe a ti”, e ele respondeu: “Quero estar onde estiver a minha sombra se lá é que estiverem os teus olhos”.”
Em minha coluna desse mês no Guia da Semana falo de três novos diretores surgidos na última década, que além de amigos entre si já possuem obras memoráveis e imperdíveis no currículo. Clique aqui para ler.
(pra não ficar sem pubicar nada por muito tempo, já que estou sem tempo, republico esta crítica do filme Feliz Natal)
Em Feliz Natal, estréia de Selton Mello na direção, a angústia adquire uma intensidade tão grande que chega a ser quase palpável. Seus personagens são movidos pelo remorso, pela loucura, pelo ódio, pelo vazio, pela culpa silenciosa, pela angústia incrustada no âmago de cada um. E toda essa gama de aflições e flagelos pessoais habita e se constrói no seio da família e se revela em sua totalidade mais intensa na noite de natal.
Caio (Leonardo Medeiros) vai passar o natal com a família depois de anos sem aparecer. O que Caio encontra é uma família que já foi além da desestruturação, é uma família que já tomba para o auto-degredo, onde o absurdo das mágoas já atingiu proporções irrecuperáveis. Todos seu membros trazem no rosto a inconformidade com a vida, a tristeza profunda, o desconcerto de uma unidade familiar absolutamente fragmentada e decadente.
Isso se revela na mãe Mércia (Darlene Glória), alcoólatra e dependente de barbitúricos, no irmão Theo (Paulo Guarnieri), que transita entre os conflitos da família e carrega no rosto uma tristeza inconsolável, no pai Miguel (Lúcio Mauro), que se recusa a envelhecer e vive com uma mulher com idade para ser sua neta, na cunhada Fabiana (Graziella Moretto) que representa um frágil artificialismo de unidade familiar, nos amigos de juventude, solitários, bêbados, fracassados.
Mas Caio carrega ainda uma culpa maior, resultado de uma irresponsabilidade juvenil que transformou e marcou sua vida para sempre. Uma tragédia que nunca acaba em seu rosto.
Feliz Natal tem muitas vezes uma textura onírica, de luzes mornas, de pessoas transitando alheias e indiferentes a si mesmas. Melo opta por uma narrativa com tomadas próximas, closes fechados, que aproximam os rostos marcados dos personagens e os revela no olhar, na pele sulcada, na textura da angústia de suas faces. Utiliza planos seqüência com a câmera na mão e cria com isso uma sensação de continuidade do desconcerto, de fuga impossível para quem vive em meio à desestrutura de vidas perdidas. Essas opções revelam o drama nas suas entrelinhas, nos gestos dos personagens, no seu carrossel de movimentos que os levam sempre a si mesmos e causa no expectador a sensação de claustrofobia, do aprisionamento que marca a agonia da vida de cada personagem.
Feliz Natal é um filme denso, angustiante, sofrido. Um filme que tem sua melhor expressão no silêncio que se segue à uma pergunta e resposta, quando Theo, já de saída, pergunta a Caio: “você queria me falar alguma coisa?” E Caio, com o olhar aflito responde simplesmente: “queria”. O silencio e o olhar que se segue é de uma expressividade assombrosa e diz mais do que qualquer palavra. Feliz Natal não é um filme silencioso, mas guarda no silêncio íntimo de cada um a percepção de vidas destroçadas em família. -- Feliz Natal Dir. Selton Mello Brasil, 2007 100 min.
Iniciante no universo das corridas de rua organizadas por diversas entidades incentivadoras do esporte, descobri que em muitas delas está presente um serviço muito interessante e criativo. São fotógrafos espalhados em pontos estratégicos, principalmente na chegada, quando os participantes estão mais dispersos, que fotografam os corredores a torto e a direito. Depois de 24h, basta que o corredor vá até o site da empresa que realizou as fotos e faça uma busca pelo seu número do peito e lá estará sua foto. Para fazer o download o custo é de 4,00 por foto, mas se quiser encomendar uma versão impressa de ótima qualidade na ampliação que desejar, basta pagar um pouco mais. Achei o serviço muito interessante e a Fernanda fez questão de fazer o download das duas fotos minhas.
Ei-las abaixo, sem sorriso, cara séria, focado na chegada, que não sou desses corredores alegres que ficam fazendo aviãozinho, V de vitória e outras papagaiadas. Como quem me conhece sabe: sou homem sério, marrudo, sisudo, ranzinza e ávaro; e não gosto de gente feliz tipo propaganda de cerveja no verão.
Sem tempo para maiores delongas, começou terça-feira o 4º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo. Maiores informações, clique aqui. Todas as sessões são gratuitas. -- Mais uma vez, verei muito menos do que gostaria. Mas uma casualidade interessante aconteceu. Pelo segundo ano consecutivo o primeiro filme que vejo no festival é de um diretor com sobrenome Cuarón. Ano passado foi o filme Ano Unha, de Jonas Cuarón (clique aqui para saber mais), um filme que me conquistou pela simplicidade, ousadia e ótima montagem. Dessa vez foi o filme Rude e Brega, de Carlos Cuarón. Carlos é irmão de Alfonso Cuarón, que é pai de Jonas Cuarón. Alfonso é o nome mais internacional da família de cineastas, tendo dirigido um dos filmes da franquia Harry Potter (o Prisioneiro de Azkaban) e premiadíssimo pelo filme E Tua Mãe Também. O filme de seu irmão que está no festival é bastante divertido e triste também, uma metáfora do futebol com a vida e que tem no elenco o completíssimo Gael Garcia Bernal e o ótimo Diego Luna.
Voltando ao mais famoso da família, Alfonso Cuarón faz parte do trio de diretores mexicanos que surpreenderam a crítica nos últimos anos com filmes que impunham um estilo muito peculiar de direção e de ambientação. Juntam-se a Alfondo o diretor Guilhermo Del Toro (do visualmente impressionante O Labirinto do Fauno e do muito bem conduzido Hellboy) e o diretor Alejandro González Iñárritu (do também impressionante 21 Gramas e o impactante Amores Brutos).
Hoje corri minha primeira prova. Oficialmente agora me considero batizado e posso dizer que sou um atleta amador (beeeemmm amador, a se levar em conta meu tempo de corrida, mas isso o tempo e os treinos se encarregarão de dirimir). O incrível é que se eu tivesse planejado tantos elementos para tornar especial esta minha estréia no mundo das competições amadoras não teria dado tão certo.
A prova foi a Super 9Km no Autódromo de Interlagos. Sim, agora posso dizer por aí que já corri em Interlagos... ao menos a pé. Quem me conhece sabe o quanto sou incondicionalmente apaixonado pela F1. Portanto, mais que a emoção da primeira prova, conta o fato de ter sido num dos circuitos do calendário oficial da categoria máxima do automobilismo.
Fazer aquelas curvas, percorrer aquele circuito que de tanto já tê-lo percorrido (em jogos de computador) sou até capaz de desenhá-lo de memória, teve um sabor inesquecível. Mais ainda. Foi uma corrida em comemoração ao 9 de julho, data que relembra a revolução paulista de 1932, a Revolução Constitucionalista. Cumpro assim meu dever de cidadão paulista em celebrar uma data tão importante para meu estado. Para ficar mais inesquecível estou retornando de lesão, pela qual fiquei um mês sem treinar e achei meu desempenho ótimo, uma vez que só agora retomo o ritmo de treino.
Por estar sem ritmo de treino, optei pelo circuito mais curto, de 4,5km, em vez dos 9km. Completei-o em 28:54, com média de 9,34km/h ou 6:25 min/km. Cheguei inteiro e com fôlego sobrando e não fui vencido por nenhuma das longas subidas do circuito. Fiquei satisfeito, mas preciso melhorar esse tempo em pelo menos 8 min.
Contudo e por fim, posso dizer que venci. Venci 15kg já perdidos em 5 meses de mudança de vida, venci a lesão medial-tibial por estresse e sigo na luta por sanar totalmente minha lesão recorrente no ligamento patelo-femoral. Por isso sigo correndo. -- Atualização - 14:51
Resultado oficial: 4,5km Masculino Geral: 187º (de 400)
Está no ar minha coluna de cinema desse mês no Guia da Semana. Dessa vez, falo da maratona de festivais de cinema que se iniciam no segundo sementre. Trecho:
"O SP Terror - 1º Festival Internacional de Cinema Fantástico, ocorreu entre 25 de junho e 2 de julho (se perdeu, ano que vem tem mais). Em seguida, emendamos com o 4º Festival de Cinema Latino-Americano, de 6 a 12 de julho. Ainda este mês, entre os dias 22 e 26, será realizado o Anima Mundi - 17º Festival Internacional de Animação. Menos de um mês depois, ocorre o 20º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, de 20 a 28 de agosto. Por fim, a cereja do bolo, de 23 de outubro a 5 de novembro, a balzaquiana e monumental 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo." Para ler na íntegra, clique aqui.
Um blog muito antigo que eu lia chamava-se Eu Odeio Galvão Bueno. Eu também odeio. E participo do movimento "Cala a boca Galvão", porque também estou no limite extremo da paciência. Abaixo, algus fatos:
Galvão Bueno comenta até minuto de silêncio.
Deus criou o mundo em seis dias. No sétimo, foi interrompido por Galvão Bueno.
Quando Adão foi criado, ele estendeu uma faixa no paraíso: "Filma Eu, Galvão".
Galvão Bueno nunca tem deja vu. Só tira-teima.
Van Gogh cortou as orelhas para não ouvir Galvão Bueno.
Bin Laden só grava os seus próprios vídeos porque Galvão Bueno não atende a seus pedidos de "Filma Eu".
Quando o terceiro segredo de Fátima for revelado, Galvão Bueno gritará: Eu Sabia! Eu sabia!
Gosto de meu mau humor e de minha tristeza. Sem muito tempo para escrever, reponho abaixo dois bons exemplares de cada um, publicados e passado remoto:
Breve recesso. Porra vida chata do caralho!! Vi Os Infiltrados. Puta filme bom. Volto semana que vem se essa merda de humor melhorar. O filho da puta do Blogger enfiou meu arquivo de posts no cu. Ultimamente, até respirar me irrita. Tem coisa que é tão simples, mas a vida sempre fode. E você? O que veio fazer aqui? Queria comer a Luana Piovanni, queria escrever como a Clarice Lispector, queria ter um Astra 2.0, queria tocar fogo no congresso, queria deixar meu cabelo crescer, montar um exército e invadir a Argentina. O que eu queria mesmo era abolir os espelhos. -- Coruscante! Pode haver palavra mais bonita do que coruscante?! Coruscante, como num verso que li há tempos, um verso de Hilda Hilst Coruscante como quero a vida e que não é coruscante como a quero nunca
Coruscante o dia de depois de sempre Coruscante os olhos da menina linda que não vejo ontem Coruscante o riso da mulher desejada que nada deseja Coruscante a alma dos poetas enviesados pelo amanhã Coruscante sempre o que tenho de negar dentro de mim
Mas nada corusca mais que o não coruscar de mim mesmo Esse afago introspectivo pendente, esse afogo desmedido de repente Essa aflição de palavras mórulas, como uma poeta "alcoólicas" morta venerável - como só os poetas mortos podem ser realmente veneráveis - também me ensinou
E sei que nada realmente corusca dentro do que me apercebo em torno Sei que meu fado não-coruscante é a eterna revelia de ser-se sempre o negrume insólito do eterno prelúdio das vontades e sonhos sonhados no interior de vulcões desassossegados e vultosos
O prelúdio perene, o prólogo monolítico aviltante (avilta-se a alma em desafogo infame ridículo) a epifania debochada do que se é (inevitavelmente, claro) e o resultado de tudo que só cabe no epitáfio de versos insalubres e mesquinhos.
Novo emprego, adaptando-se a horários e rotinas novas, mil textos na cabeça para escrever, tudo a seu tempo. Peço paciência.
Aproveito e já adianto o tema de minha próxima coluna no Guia da Semana, que deve sair semana que vem:
"Em seu primeiro ano temos já em andamento o SP Terror – 1º Festival Internacional de Cinema Fantástico, que acontece de 25 de junho a 02 de julho. Em seguida, emendamos como 4º Festival de Cinema Latino-Americano, de 06 a 12 de julho. Ainda em julho, do dia 22 ao dia 26, tem o Anima Mundi – 17º Festival Internacional de Animação. Menos de um mês depois acontece o 20º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, de 20 a 28 de agosto. Por fim, a cereja do bolo, de 23 de outubro a 05 de novembro, a balzaquiana e monumental 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo."